quinta-feira, 24 de janeiro de 2013


Tudo tem um preço não?!




Até as miniaturas Kyosho. Quanto vale? Depende de você. Mas também do mercado, país...


Todo mundo já escutou a famosa frase “tudo tem um preço”. Sem discussões filosóficas e éticas, de forma fria e realista, tudo realmente tem um preço. Desde um simples pão até um suborno, tudo hoje tem um valor, uma quantia que, oferecida, lhe trará o bem ou sensação desejada. Não seria diferente no mundo diecast. E quanto vale uma miniatura Kyosho? É o que vamos tentar descobrir agora.
Pra começar, temos que saber, em média, quanto se paga por uma mini em seu país de origem, o Japão. A base do preço que irei divulgar se baseia em 3 sites que são a fonte de todo Kyosho: a própria Kyosho (www.kyosho.co.jp), a Karuwaza, braço eletrônico da Sunkus K e distribuidora oficial das minis (www.karuwaza.jp) e a Rakuten, a maior loja online do Japão, o equivalente ao Ebay no oriente (www.rakuten.co.jp). Em todas as fontes, preço médio de uma mini gira em torno de 1.500 ienes. Antes que me preguntem, sim, são as minis mais comuns ou as menos desejadas. Mas é em cima delas que os preços são praticados, não adianta chorar ou reclamar.
Fazendo uma conta rápida (e claro usando um conversor de moedas da internet – no caso, o usei o do yahoo, que usa a cotação das últimas 24 horas) chegamos ao valor de R$ 34,657. Usando a velha técnica do arredondamento científico, chegamos ao valor de R$ 35 reais. Se usarmos o Ebay como base de valores, o modelo mais barato que encontraremos para “buy it now” será de $ 8,50 dólares, que convertendo em reais, dará algo em torno de 17 reais nacionais.
No Ebay, você ecnontra entre 25 e 50 dólares... sem o frete! Com o frete... ai são outros quinhentos...

Alguns diriam “uau”. Outros “que barato”. Porém, esse ainda não pode ser oficializado como o preço real da mini. Tanto no Japão como nos Estados Unidos, pagamos impostos assim que adquirimos um produto ou serviço. Fora que, se comprarmos essas minis nos países acima pesquisados (Japão e Estados Unidos), teremos que pagar o envio, fora que também pagamos uma taxa de importação por produtos aqui no Brasil.
Mas temos Kyosho no Brasil. Não existe uma importação oficial, mas existem ótimos e fieis vendedores da marca, sobretudo no Mercado Livre. O valor em médio de uma mini, lá, está em torno dos 35 reais. Tirando o frete, que em média, gira em torno de 15 a 20 reais, uma Kyosho no Brasil não sai por menos de 50 reais. Vale salientar que, esses valores são médios, e pode variar pela quantidade/variedade/exclusividade da mini e pela negociação com o vendedor. Já consegui vendas de 8 miniaturas, todas raras (das 8, 5 eram beads, inclusive) mais envio por 400 reais. Se dividirmos por mini, cada mini sairia por 50 reais. Contudo, se eu pedisse de fora essa mesma miniatura, de um mesmo vendedor, do Ebay, cada uma poderia sair até por 75 reais, frete incluso na conta. Isso comprova que, apesar do mercado restrito e da dificuldade de se conseguir uma miniatura Kyosho, o valor praticado está alinhado ao padrão internacional, demonstrando até certa consciência dos vendedores locais, que poderiam abusar do desconhecimento ou falta de concorrência e inflacionar o valor dos modelos. Lembrando sempre que falo sempre de médias e minis consideradas comuns, por que aqui ou fora, dependendo da mini, os valores podem ser exorbitantes, independente da língua, moeda ou origem da miniatura.


No Mercado Livre, você encontra essa belíssima Ferrari entre 35 e 45 reais, fora o frete. No Ebay? A mesma coisa. Parece que não é tão caro aqui (ou a galera não tá se aproveitando tanto).

Pra terminar, uma pergunta seguida de sua resposta:  por que eu estou falando isso tudo? Por que o que mais odeio escutar de colecionadores é quando vejo ou escuto um dizer “fulano tá lucrando em cima de mim”, ou então “beltrano bem que podia fazer um preço camarada na minha Kyosho”. Posso estar colhendo inimizades de forma automática agora, mas vou dar uma visão realista e prática do mercado.
Não existe bondade ou amizade quando falamos de negócios. Por mais que conheçamos e tenhamos intimidade com determinado vendedor ou lojista, ele está fazendo aquilo visando uma coisa: lucro. É assim que ele mantem seu negócio e ambiciona expandi-lo. Quando queremos apenas ser justos, ajudar um amigo colecionador, é mais fácil propor a troca do que a venda não? Quando estamos pedindo que o colecionador pague o valor de compra, já é uma forma de querer “lucrar”, pois aquelas minis, seja de que marca for, estão paradas, e se a grana vier você compra outras e lucra não? Pelo menos é assim que penso. Outro ponto que sempre tem que ser pensado é que estamos acostumados com um mercado rotulado pela Hot Wheels. Qualquer mini com um mínimo de acabamento e detalhismo maior do que a famosa mainline americana custará mais caro. Claro que também sonho em ver Kyoshos, Greenlights, Johnny Lightinings e M2s com preços iguais, mas será que teriam o mesmo acabamento? Será que compraríamos feliz como fazemos hoje?
Por isso, não basta apenas reclamar e fazer beicinho e cara feia com o preço. Tem que saber o valor da miniatura, o quanto custou adquiri-la, trazê-la e anuncia-la e a dificuldade que envolve todo esse processo. No fundo, rapadura é doce, mas também não é mole não, e a do vizinho é sempre mais doce. Pensem nisso!

Imaganes: Ebay, Mercado Livre e autoria própria.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


Circle K Sunkus Collection: popularizar sem perder


A marca resolve popularizar suas minis 1:64, para alegria dos colecionadores mundo afora.


Ok! Já sabemos que nada é tão original como pensávamos, e que a sua mini pode ter uma alma europeia ou até mesmo americana (quem sabe). Mas como é que a Kyosho vende suas minis? Por que é tão difícil comprar essas formidáveis minis.
Vamos responder agora. Em 2004, percebendo a possibilidade de expandir seus produtos, a marca resolveu se aliar a uma das maiores magazines japonesas: a Circle K Sunkus. A loja é tradicionalíssima, e teve o início de suas atividades na década de 50 no Japão arrasado pós 2° grande guerra.
A Sunkus era uma espécie de “Loja Americanas” japonesa, aonde você encontra de tudo. Eu disse de tudo mesmo!Para aumentar seus domínios e ter maior penetração no terrirório japonês, em 1998 começou a se unir com a Circle K, a maior rede de conveniências de postos do Japão, e em 2001 surgiu a gigante Circus K Sunkusa, a maior loja em abrangência territorial do Japão. Para completar, a Circle K Sunkus criou seu programa de fidelidade, baseado em um site, surgindo assim a Karuwaza, site de compra, venda e promoções exclusivos da Circus K Sunkus na internet.
“E o que uma loja de conveniência tem haver com minhas miniaturas?” brandaria o colecionador desinformado. Simples. Foi essa enorme cadeia de lojas que foi escolhida para vender a nova coleção de miniaturas da Kyosho em escala 1:64. Apelidada de Sunkus K Collection, a Kyosho fechou uma parceria de exclusividade com a Circle K Sunkus, comercializando sua nova linha e miniaturas na escala 1:64 nas lojas Sunkus K e Karuwaza (braço digital da Sunkus).

Pode parecer mentira, mas esse Ferrari 458 Itália e uma mini "básica" da Kyosho. Se isso é básico, a Hot Wheels é o que?


Aqui, mais uma curiosidade: a linha foi “testada” como premiação para quem adquirisse produtos da Dydo Drinco, tradicional empresa que vende bebidas e comidas naquelas máquinas vitrines, aonde colocamos o dinheiro e escolhemos o produto. Isso foi em 2003. Pela riqueza de detalhes e sucesso de vendas, a Kyosho resolveu simplificar sua linha, produzindo uma série mais “básica” (para os padrões da empresa, deixando bem claro). A simplificação geraria maior volume de produtos, e uma maior penetração entre aficionados e crianças japonesas. O que a empresa não contava é que sua fama se espalharia tão rápido quanto uns vírus de computador, e em pouco tempo colecionadores de todos os continentes já corriam atrás das minis japonesas.
Outra particularidade da Sunkus K Collection se diz ao formato que ela é apresentada: todas em base de acrílicos, parafusadas e lacradas em uma caixa totalmente fechada, sem qualquer identificação de qual mini vêm dentro. É comum no Japão se vender minis sem saber qual o carrinho que vem dentro. O que seria um empecilho no ocidente é um incentivo no oriente, aguçando a curiosidade e “forçando” crianças e colecionadores comprarem várias minis até terem a(s) que deseja(m). Para manter uma vínculo com o colecionismo, dentro da caixa vem um card com a imagem da mini dentro e uma pequena descrição da mesma, criando uma espécie de coleção de cartões das minis, e ajudando na catalogação das mesmas. Genial não?!


Pode parecer loucura, mas comprar uma miniatura as cegas é uma tradição e sinônimo de colecionadores ávidos por todas as peças. No Japão funciona. Já no resto do mundo...

A coleção é formada por várias séries, todas temáticas, lançadas com uma média de intervalo bimestral. Sempre no Japão e a pouco tempo na China, acabam rápido, não só pelo número limitado (mesmo maior do que em relação a Bead Collection), mas pela procura cada vez maior de vendedores e colecionadores estrangeiros, que acabam comprando grandes quantidades para revenderem e completarem suas coleções mundo afora. Não é incomum vermos vendedores especializados na Europa e Estados Unidos, até mesmo credenciados pela própria Kyosho, como a Daboxtoys, hoje um revendedor autorizado da Kyosho fora do território nipônico, e que atende basicamente o mercado norte-americano.
Para os colecionadores brazucas, uma boa notícia. Temos alguns bons e honestos vendedores, e devo trazê-los aos poucos no blog, para você saber aonde comprar aqui no Brasil com tranquilidade e honestidade.
Para terminar, a Sunkus K Collection contém 57 séries lançadas e anunciadas até o momento, com uma quantidade de no mínimo 8 miniaturas por série, que podem ou não ter variação. Os temas são os mais variados, desde os clássicos carros japoneses, passando por modelos esportivos e de corrida e indo até mesmo aos modelos usados pelo agente secreto mais famoso dos cinemas, James Bond (série 10, composta por 15 modelos, em escala 1/72). Falando em escala, a Kyosho não tem a tradição ou regra de manter a escala 1:64 ou moldes na Sunkus K. Um exemplo são as séries Suzuka 8 Hours e a própria série 007, aonde as minis são nas escala 1/72, e as miniaturas de marcas mais marcantes para colecionadores como Ferrari e Lamborghini, aonde percebe-se uma evolução no molde de uma mesma mini, mas de séries diferentes.


Seja o modelo baseado em um carro americano, japonês ou alemão, a qualidade, detalhismo, respeito e escala serão respeitados ao máximo pela marca japonesa. 


Qualidade, preço menor e uma maior quantidade de minis. Isso é Sunkus K Collection. Porém, aviso logo, não fácil ter uma, mesmo que seja mais popular ou de maior quantidade. Minis de alta qualidade não são fáceis né?

Fotos: Daboxtoys.com, Increrible Mini Garage (http://all-3dd.blogspot.com.br/) e diecast-zone.blogspot.com

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Inimigo íntimo – Parte 2


Não basta conhecer, tem que fazer melhor (ou igual).

Qual das duas é a Kyosho?


Fala maníacos! Vimos no post passado que nada é por acaso, e a Kyosho começou na escala 1:64 não só por vislumbrar um mercado que achava ser capaz de atuar, mas por perceber a oportunidade que estava perdendo. Vimos também que por incrível que pareça, ela está mais ligada a outras marcas do que podemos imaginar.
Dividi o post em 2 por que seria extenso demais ler sobre o mesmo assunto. O restante da analise você acompanha agora.
Um dos mistérios mais recentes do colecionismo mundial é: Se a Mattel é a única que pode produzir Ferraris, como a Kyosho pode? E como conseguiram “burlar” o contrato? Nesse caso, a Mattel cedeu a possibilidade da Kyosho produzir modelos na escala 1:64 da marca italiana usando um artifício inteligente e original: os modelos tem que ser “montáveis”, não podem vir prontos, como os Hot Wheels. A marca japonesa criou uma espécie de “mini plastimodelismo”, simples, mas que segue as regras do contrato firmado anteriormente e de certa forma agrada há alguns colecionadores que gostam de “mexer” ou “personalizar” sua miniatura. Claro que a Mattel não iria dar nada de mão beijada: A Kyosho, em troca, conseguiu que a marca americana produzisse modelos da japonesa, antes licença exclusiva da marca japonesa.
Outro ponto interessante em torno dessa troca é que, de certa forma, os produtos não poderiam ser concorrentes diretos. Daí o fato da Kyosho produzir modelos em alto padrão de fidelidade, mas sob quantidade limitada, tornando um produto distinto dos Hot Wheels, de alta produção e quantidade abundante, porém, carentes em detalhes e nem sempre reproduzindo os moldes igual a realidade. Outro ponto importante sobre essa “aliança” é que, de certa forma, nenhuma disputa o mercado da outra. Cada produto tem um publico alvo, e a Kyosho não vende suas minis na Europa ou América, principal mercado da fabricante americana.

Um molde, várias marcas.

Sim, a mini é BBR. Mas quem fez não foi ela. Sabe quem foi? Isso mesmo.

Outro ponto interessante é que, em tempos de globalização, para diminuir custos e possíveis prejuízos, tudo se divide hoje, inclusive as fábricas. A relação da Kyosho não é só estreita com a Mattel, mas com nomes fortes do diecast como BBR, Minichamps, Autoart e Exotto. Naõ só que essas marcas em questão seguiram o mesmo caminho da Mattel e tem seu portfólio vendido e negociado em terras nipônicas pela Kyosho. As marcas não só se utilizam uma das outras para divulgar seus produtos em outros mercados, como utilizam até as mesmas fábricas e fornecedores de matéria-prima. Resultado: mini “gêmeas”, separadas no nascimento apenas pela marca. O primeiro fato que levantou essa suspeita foi a mini em escala 1/18 da BBR, uma Ferrari 430. Os detalhes da mini BBR são tão iguais a da marca japonesa, que muitos colecionadores creditam que a marca japonesa seja responsável pelo molde da marca italiana.
Outro forte indício é a diferença quase imperceptível dos modelos na escala 1/64 das marcas Kyosho, Minichamps e Autoart. Vale salientar que as 3 marcas usam a mesma fábrica na China para produzir seus modelos, e que segundo colecionadores e fóruns mundo afora, faz com as marcas imponham pequenas diferenças entre os modelos para diferencia-los. Contudo, jáé sábido que a Kyosho produziu moldes da Porsche e de outra marca para as duas fabricantes europeias, o que reforça a tese de “um molde, várias marcas”.

É necessário ser profundo conhecer para saber qual é a miniatura da Autoart e qual é da Kyosho? Diferenças tão pequenas que dá sim pra desconfiar.

Para encerrar, gostaria de compartilhar com vocês a felicidade de saber que, diferente da época de ouro do colecionismo (décadas de 50 a 80), aonde para se ter um molde em comum se comprava, muitas vezes só diante da falência ou necessidade financeira da concorrente, essa irmandade forçada de marcas proporciona a nós, colecionadores, um ganho enorme, pois o nivelamento acaba sendo por cima em termos de proporção, qualidade e acabamento, mostrando que as vezes para ganhar, precisamos sim nos aliar. Sozinhos, não chegamos muito longe, nem mesmo na fabricação, venda e colecionismo de miniaturas, pelo que parece, quanto mais no colecionismo. Fica a lição.

#fotos: Google, Swift’s Garage Blog, Mercado Livre e Ebay.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013


Inimigo íntimo – Parte 1.


Para vencer seu inimigo, junte-se a ele antes.


Quem diria que uma depende da outra não?

Feliz ano novo! E para começar mais um ciclo, vou começar explicando a relação que se mantem entre a Kyosho e outras marcas. Sim! Apesar do título, ele não é autoexplicativo, pois o que se nomeia “inimigo”, aqui não tem a mesma conotaçã. Pode até parecer simples, mas é um pouco mais intrínseco do que você está imaginando. E é aqui que uma marca inimaginável tem um papel fundamental para que as miniaturas da Kyosho, sobretudo da escala 1:64 estejam entre nós. Estamos falando da Mattel e seus Hot Wheels. Não entendeu nada? Vou explicar agora.
Já é sabido mundo afora que o mercado japonês é uma fonte quase inesgotável de bons resultados de venda de produtos, seja ele qual for, porém para isso, é necessário boa gestão e uma estratégia acertada, para conseguir um público fiel e ávido. Com uma cultura tão distinta e diferente, é necessário estudar e pesquisar bem os costumes e gostos para que o produto que seja lançado e comercializado em terras nipônicas não seja um fiasco. Isso custa dinheiro, e mesmo com elevados gastos e pesquisas, nenhum investimento garante a certeza de sucesso de vendas. Então, como vender para um público que não conheço, sem gastar muito e acertar a mão de primeira? Fácil! Arrume um parceiro local.
É ai que a história da gigante americana e japonesa se fundem e definem rumos até improváveis. A Mattel precisava de um parceiro para expandir a venda da marca Hot Wheels de forma correta e ao gosto japonês.  Na época (final da década de 90, início dos anos 2000), a Kyosho, gigante dos R/C mundo afora ainda não tinha uma linha completa de modelos diecast, principalmente na escala 1:64. Foi feita a união. A Kyosho administra, distribui e propaga a venda da marca Hot Wheels em território japonês, ganha um trocado para isso, e consegue que a marca se torne um sucesso fenomenal na terra do sol nascente. Vale aqui um destaque: marcas consagradas locais, como a Tomica, não poderiam ser o parceiro ideal da Mattel, pois mesmo que entendessem o produto, poderiam ameaçar o próprio negócio ou não tornar o produto do aliado viável. É por esse conjunto de fatores que a Kyosho foi escolhida a dedo: administradora hábil, mas que não possuía um produto rival em sua linha.

O que era um contrato comercial se tornou uma oportunidade empresarial.

Contudo, o que seria uma aliança perfeita, mas de lucro quase unilateral se transformou com o passar dos anos. Os japoneses aprenderam bastante sobre o ramo de diecast, e como aconteceu com seus radio controllers, perceberam falhas que colecionadores e aficionados não toleravam. Os erros da Mattel se tornaram a chave para que a multinacional japonesa visse a oportunidade de criar um novo produto.
Comentei no post passado que a linha 1:64 se iniciou em 2002. Algum tempo havia passado desde a Kysoho, sob licença da Mattel, vende-se seus produtos no oriente. A fama e produtividade criou fama entre as outras empresas, e gigantes como Ixo, Autoart e Minichamps seguiram o exemplo da Mattel e também pediram para que a Kyosho administrasse e vendesse seus produtos no Japão. Ai, caro colecionador, não dá né? Tanta gente te pedindo para vender algo que você tem capacidade de vender e fazer igual, ou melhor... O óbvio aconteceu: a Kyosho desenvolveu sua própria linha diecast nas escalas mais colecionadas.
Mas engana-se que foi tudo flores ou perfeito para a fabricante japonesa. Procurei essa informação, mas não consegui um fato concreto. Mas as pistas levam a crer que os contratos firmados entre as empresas tinham regras mais “maleáveis”, e que ambas as partes se beneficiaram. Seria uma espécie de “acordo entre cavalheiros”, e ambos cederam certos tesouros que só as grandes multinacionais possuem.
O maior exemplo é o caso envolvendo o licenciamento da Ferrari. É sábido entre os colecionadores diecast que a Mattel, sob sua marca Hot Wheels, é a única que pode produzir e fabricar modelos da marca, principalmente na escala 1:64. Esse contrato tem lei específicas, que garantem que a única que pode produzir modelos nessa escala é a Mattel, e em outras escala, sob licença direta da Ferrari em conjunto com a Mattel. Então, como a Kyosho faz modelos da casa de Maranello? A Kyosho é representante principal na reprodução em miniaturas de modelos das marcas Nissan e BMW. Como é que a Mattel produziu seus Skylines e BMW Serie 3? Como a Kyosho é a única fabricante a produzir modelos da Casa de Maranello?


Difícil imagina que o Skyline "americano" só existe por causa de seu "primo japonês".

Aí foi o “pulo do gato” entre as marcas. Cada uma cedeu o que tinha de interessante, em troca de tecnologia e outras exclusividades que a parceira possuía, mas com certas regras a serem cumpridas, tanto para evitar uma disputa entre as parceiras, como para manter seus contratos de exclusividade com montadoras e marcas. Aí o fato de toda a Ferrari produzida pela Kyosho ser “desmontada”, uma espécie de plastimodelismo para iniciantes. A regra entre a Ferrari e a Mattel é que só ela produziria miniaturas diecast em formato 1:64. Não se fala no contrato sobre “plastimodelismo” ou “miniaturas para montar” na mesma escala. Montem o quebra cabeça e vocês entenderão o recado.
Como isso ocorreu e de que forma isso interferiu nas linhas de produção de ambas as marcas, é papo para a nossa segunda parte.
Das de uma coisa, é certa. Sem a Mattel, a Kyosho não estaria entre nós. Estranho não?            

Fonte de Imagens: Blog The Lamley Group e diecastlife.blogspot.com

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Detalhismo e qualidade aonde ninguém imaginava

Escala 1:64 mostra até onde uma marca pode chegar.


O realismo marca a escala 1:64, mesmo com toda a dificuldade que o tamanho proporciona.


Olá! Depois de uma bela ceia de natal, nada melhor do que matar a ressaca com mais história da marca que amamos e queremos tanto. Vocês já sabem como tudo começou (literalmente) e como a marca japonesa referência em diecast começou no segmento de miniaturas. Mas e a escala mais famosa, difundida e disputada? Quando a Kyosho começou a fazer modelos 1:64?

O ano é 2002. A fabricante já havia se especializado nas escalas mais famosas e que, de certa forma, permitia mostrar ao mundo que no oriente se sabia fazer réplicas com detalhismo ímpar, deixando em nada a desejar das grandes marcas. Porém, a escala mais popular faltava em seu casting. E ela começou de uma forma que poucas haviam feito.

Modelos que fizeram história no automobilismo mundial também são o mote da coleção.

A linha era chamada de Bead Collection, e juntamente com a J-Collection (essa em escala maior, entre 1:43 até 1:10) inauguraram o segmento diecast em nível industrial. Claro que os primeiros modelos seriam japoneses, da mesma forma que suas concorrentes, no passado, prezaram e deram maior destaque à modelos do imaginário de seus países de origem. Enquanto a J-Collection impressionava, mas mantinha o padrão de marcas como Autoart e Ixo, empresas essas importantes na formação da Kyosho como manufatura de modelos diecast, que explicarei em outro momento, na escala 1:64 a história foi bem diferente.


Modelos clássicos japoneses foram retratados com detalhismo raro para a escala 1:64.

Todos os modelos são ricos em detalhes, desde rodas e decalques que representam exatamente o modelo original, até aqueles que todos colecionador mais chato e exigente questiona em uma miniatura, como pneus de borracha, retrovisores, faróis e lanternas. Destaque para o fato da linha ter sido lançada como uma série “básica” para colecionadores avançados, o que equivaleria ao linha adulta da Hot Wheels. Inclusive, ela é a maior fonte de inspiração e modelo seguido pelos japoneses, porém, parece que os nipônicos só se espelharam nas partes boas, e aboliram as ruins.

A lista de Bead Collections é de mais de 150 modelos. Algumas particularidades aqui devem ser explicadas, para evitar dúvidas e ajudar no colecionismo da marca:

- Por mais que o modelo tenha numeração diferente, muitas vezes é o mesmo modelo, apenas com outra cor ou decalque.
- Muitos modelos aparecem na linha básica (Linha Sunkus K, que explicarei mais a frente) e na Bead Collection, contudo, seus moldes e detalhes são diferentes. Os Beads são ainda mais detalhados.
- Todos os modelos são “True 1:64 Scale”, ou seja, a escala é 1:64 real, diferente de outras marcas, que por maior liberdade na sua criação, tem apenas a escala aproximada do modelo, variando de 1/60 até 1/72.
- Apesar de todo o detalhismo, os modelos japoneses não abrem as portas ou capô, mesmo em sua linha mais luxuosa. Vale aqui uma pequena defesa: todos os modelos foram feitos para serem comuns, de preço baixo,mesmo que o detalhismo seja alto, o que a marca sacrificou foi justamente as aberturas existente em um automóvel, da mesma forma que a marca que ela se inspira, a Hot Wheels.
- Infelizmente, em 2009 foi lançado o último modelo dessa série fantástica. Contudo, muitos colecionadores internacionais consideram os modelos lançados avulsos e comemorativos (como lançamentos de modelos reais ou séries limitadas) como integrantes da Bead Collection, devido ao detalhismo e esmero maior desses modelos com relação a série básica.


O modelo vem em base e caixa de acrílico. Parafusos prendem a mini a base, que mantém a segurança da mini, porém permitindo solta-lá de forma fácil .

Dessa forma, a Kyosho ingressou na escala mais popular e fascinante para maioria dos colecionadores, e mostra até hoje, que mesmo que preze pela economia e preço de seus produtos, pode-se fazer algo em que a qualidade e a riqueza de detalhes salta aos olhos, e não empobrecendo seu produto e usando como desculpas crises financeiras e mudanças mercadológicas. Com certeza, é a personificação da frase “O discípulo superou o mestre”. E muito.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012


Kyosho e o Diecast, uma história “natural”.

 O Brabham BY60 foi o primeiro modelo diecast da faricante japonesa (acima).


Alguns podem estar estranhando as aspas no título de meu post. Ao longo do post você entenderá o recurso ortográfico. Como vimos na primeira postagem séria do blog, a Kyosho começou produzindo modelos a controle remoto, os famosos R/C. A empresa ganhou durante suas primeiras duas décadas notoriedade, ao ponto de engolir concorrentes internacionais e polarizar a atenção com sua conterrânea Tamiya.
Embalagem da montadora segue o mesmo padrão até os dias de hoje.

Em se tratando de publicidade, no entanto, nada mais natural que uma empresa desse porte procurasse meios de divulgar seus produtos, e patrocinar corridas de automóveis seria o caminho natural na década de 80/90. A empresa resolveu patrocinar a equipe de Fórmula 1 Brabham Racing Organization (exatamente a que levou Piquet ao seu primeiro campeonato e trouxe ao mundo o senhor Bernie Ecclestone, mandatário da categoria nos dias de hoje), e para comemorar o patrocínio, nada mais justo que a confecção de uma... miniatura diecast! Isso mesmo! A maior empresa de Radio Controllers do mundo resolveu ampliar seus horizontes, e partir para o mundo das réplicas Diecast, mercado que sempre teve vários fabricantes, mas que sempre foi polarizados pelas gigantes Hot Wheels e Matchbox. O modelo que inaugurou a linha de produção da fabricante japonesa foi o próprio Fórmula 1 Brabham Yamaha BT60Y 1991, na escala 1:43. Merece destaque a escolha da escala, já que a marca sempre teve na Europa sua principal concorrência, e no velho continente, essa escala em especial é a mais consumida, mostrando assim que os japoneses não vieram para brincar.

Benetton Ford da primeira coleção oficial.

Nas fotos retiradas da internet, você percebe que o modelo, mesmo sendo inaugural, em que se esperaria uma qualidade inferior ou detalhismo falho, é bem fiel ao modelo real, e em nada deixa a desejar as miniaturas feitas na época e até nos dias de hoje. O sucesso foi tão grande que a marca resolveu fazer outras miniaturas de modelos da temporada de 1991/1992 do campeonato maior do automobilismo internacional. E ela não brincou em serviço.

Com esse modelo, um dos pilotos japoneses mais renomados, Aguri Suzuki, se mostrou para o mundo.


Além da Brabham, foram feitas réplicas da Williams (modelo Williams Renault FW14B), Bennetton (modelo Benetton Ford B192), Footwork (modelo Footwork FA13 Mugen Honda), esse inclusive imprescindível, pois a equipe era de origem japonesa e tinha um dos primeiros pilotos japoneses, Aguri Suzuki, e, pasme a toda poderosa Ferrari (modelo Ferrari F92A), provando que o produto tinha qualidade, pois é notório e sabido que a montadora italiana não permite o uso de sua imagem em qualquer produto, tendo que ser provado um grau de qualidade para os italianos, sempre elevado em termos de fidelidade e qualidade, para reproduzir seus modelos seja que escala for. Prova mais do que viva que a marca começou com o pé direito, e era questão de tempo até se tornar uma das maiores no gênero, como fez com os R/C. Mas ai é história para outro dia.

Realismo nos detalhes do Footwork Footwork FA13 Mugen Honda provam que a marca prezava pela fidelidade, desde o seu início.

Para finalizar, uma dica: apesar de serem antigos e um tanto quanto raros, não são tão caros de serem adquiridos, se comparado com raridades de outras marcas. Fica a dica hein?!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Kyosho: Como tudo começou

O pioneirismo de uma empresa marcando até os dias de hoje.


Pioneiros da Kyosho e os primeiros modelos construídos pela empresa, em 1970.

Não dá para começar a entender a dimensão de algo e sua importância, se você não tem o conhecimento básico sobre o mesmo? Pensando nisso, nada mais justo do que voltarmos ao passado, visitando a história da marca, para saber como ela chegou aonde chegou na indústria de miniaturas diecast.


Primeiro R/C da marca japonesa. Esse exemplar está usando a bolha do Lola T70.

A marca, fundada em 10 de Outubro de 1963, começou no ramo de brinquedo, fazendo miniaturas de carros, aviões e barcos, em especial a controle remoto (ou R/C – Radio Controller, como são mais conhecidos). Muitos dos modelos no início eram fabricados no Japão, e posteriormente transferidos para a China. Poderia ter sido mais uma marca dentre tantas outras, mas em 1970, a empresa revolucionou o mercado de R/C ao lançar um modelo aonde o chassi era separável da carroceria, o que dava total liberdade de customização e facilidade de manutenção. Aliado a esse fato, a Kyosho investiu em escalas pouco usuais naquela época, sendo as escalas 1/8 e 1/10 as de maior investimento. Pense comigo: produto de excelente qualidade, que facilita a manutenção e ainda pode ter a “cara” do dono, em plena década de 70?! Imaginem o sucesso estrondoso que a marca fez mundo afora.


Primeiros modelo da marca visto sem a carenagem, que podia ser trocada ao gosto do usuário, uma revolução para a época.

Rapidamente a empresa ganha notoriedade no segmento. Atendendo a cada vez maior ânsia dos consumidores por novidades a Kyosho promoveu uma vertiginosa expansão de sua linha num curto espaço de tempo evitando assim um contra-ataque da concorrência. Resultado: a empresa se tornou em, poucos anos a maior do seu segmento. 
Os modelos atuais não deixam a desejar em termos de fidelidade e acabamento aos modelos "reais". Hoje a fabricante é uma gigante.

Hoje, sejam motores a combustão ou elétricos, ela capitaliza a atenção com sua eterna e grande rival, a Tamyia, também japonesa, aonde antes alemães e americanos monopolizavam o segmento. Só para se ter uma idéia, existem campeonatos e equipes oficiais patrocinadas e sustentadas pela empresa, mostrando que a “brincadeira de criança” é levada a sério pela marca japonesa. Seu mais recente produto são os robôs a controle remoto Manoi, e que, segundo a empresa, já são o futuro nos dias de hoje.
Uma empresa ousada, sem medo de errare com alto teor de qualidade e detalhe, não poderia ficar de fora de um ramo admirado e que cada vez cresce em se tratando de brinquedos e entretenimento: miniaturas diecast. Mas esse assunto é tema de nossa próxima conversa. Até mais!

*fotos: http://www.classic.rc-junkies.net e www.kyosho.co.jp